O actor
levanta os olhos
enfrenta a plateia
cheia
procura o público.
O poeta que é actor
por amor
às palavras
baixa o olhar
a pensar
molda a voz
no coração
sopesa as sílabas
vê os significados
na alma
e diz os caminhos
marcados
desde a infância
a letras-tipos-móveis
o sentido propositado
posto na aventura
dos sentidos
a textura
do papel
o espelho da capa
na contracapa
os dedos suavemente
acariciam a face das palavras.
Sunday, April 28, 2013
Actor-poeta
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Friday, March 29, 2013
A minha Mãe
Chove.
A minha Mãe branca, fria, silenciosa, coberta de flores.
Chove.
O meu Pai arranca do coração gritos de pedra.
Chove.
Nós emudecemos de espanto da ausência
que entra pelos olhos dentro e nos cega.
O meu Pai recorre os passos da vida dele.
da vida dela.
da nossa vida.
Como uma via sacra.
Chove.
Chove. Ou não chove.
Quem passa, deixa palavras que mal se ouvem.
O meu Pai em solilóquios de dor não acredita.
Sabe que as pessoas chegam e partem
partilham o seu sofrimento
e ele percebe isso e fica incrédulo.
Parou de chover.
A minha Mãe esconde-se num buraco escavado no chão.
Cobriram-na de rosas vermelhas. Nós temos os olhos vermelhos.
Já não temos lágrimas.
Andamos por ali como sonâmbulos enlouquecidos.
A falar baixinho. Sem falar. A trocar tudo.
Aos abraços. A alma aos tropeções.
Chove.
A minha Mãe, branca, fria, coberta de flores.
Sempre que voltarmos de longe ou de perto,
se demorarmos muito ou pouco,
quando abrirmos a porta,
Ela já não vai estar lá, como sempre esteve, à nossa espera.
Chove. Outra vez.
A minha Mãe branca, fria, silenciosa, coberta de flores.
Chove.
O meu Pai arranca do coração gritos de pedra.
Chove.
Nós emudecemos de espanto da ausência
que entra pelos olhos dentro e nos cega.
O meu Pai recorre os passos da vida dele.
da vida dela.
da nossa vida.
Como uma via sacra.
Chove.
Chove. Ou não chove.
Quem passa, deixa palavras que mal se ouvem.
O meu Pai em solilóquios de dor não acredita.
Sabe que as pessoas chegam e partem
partilham o seu sofrimento
e ele percebe isso e fica incrédulo.
Parou de chover.
A minha Mãe esconde-se num buraco escavado no chão.
Cobriram-na de rosas vermelhas. Nós temos os olhos vermelhos.
Já não temos lágrimas.
Andamos por ali como sonâmbulos enlouquecidos.
A falar baixinho. Sem falar. A trocar tudo.
Aos abraços. A alma aos tropeções.
Chove.
A minha Mãe, branca, fria, coberta de flores.
Sempre que voltarmos de longe ou de perto,
se demorarmos muito ou pouco,
quando abrirmos a porta,
Ela já não vai estar lá, como sempre esteve, à nossa espera.
Chove. Outra vez.
Tuesday, February 26, 2013
Devagar que tenho pressa
não há pressa
não pode haver pressa
as coisas têm outra dimensão
fazer coisas passam a ter outro tempo
tomar banho é uma epopeia
requer ponderação
calçar uma meia
ou um sapato
é uma aventura
ir de um lado para outro lado
prolonga-se no relógio
o pensamento anda célere
não comanda o andamento
deixar entrar o sol
numa tarde fria de Inverno
reveste-se de raios de felicidade;
a rua fica cheia de vagares...
não pode haver pressa
as coisas têm outra dimensão
fazer coisas passam a ter outro tempo
tomar banho é uma epopeia
requer ponderação
ou um sapato
é uma aventura
ir de um lado para outro lado
prolonga-se no relógio
o pensamento anda célere
não comanda o andamento
deixar entrar o sol
numa tarde fria de Inverno
reveste-se de raios de felicidade;
a rua fica cheia de vagares...
Saturday, February 23, 2013
Thursday, January 17, 2013
Natal
Todas as pessoas partem um dia ou outro.
Algumas, quando nos deixam, já tinham partido há muito tempo
sem o saberem.
este natal de letra minúscula anda triste desorientado louco.
sem iluminações sem exuberâncias num moderado e lento
cântico de boas festas.
Algumas, quando nos deixam, já tinham partido há muito tempo
sem o saberem.
este natal de letra minúscula anda triste desorientado louco.
sem iluminações sem exuberâncias num moderado e lento
cântico de boas festas.
Thursday, December 13, 2012
Filosofando em dia de nevoeiro
o nevoeiro desce sobre todos
sobre tudo
não se vê nada, só vultos
a fugir sem pressa,
fantasmas a dobrar
as esquinas
de ruas assombradas.
nestas manhãs pardas
que mistérios nos esperam
no final da ponte
nas curvas da estrada
nas encruzilhadas?
o gato estendeu o corpo amarelado
no telhado
confundiu a luz cinza-esbranquiçada
da neblina e procurou o seu lugar
das manhãs de sol.
à socapa
o homem no supermercado
entretém-se a trocar os preços
dos produtos à venda.
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Outono frio
caídas as folhas
uma a uma
o homem junta-as num montinho
arranhando o chão
em manobras lentas
de uma vassoura-ancinho.
o sol vai e vem atarantado
as nuvens arrastam o frio
talvez neve na serra.
uma a uma
o homem junta-as num montinho
arranhando o chão
em manobras lentas
de uma vassoura-ancinho.
o sol vai e vem atarantado
as nuvens arrastam o frio
talvez neve na serra.
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Saturday, November 17, 2012
Vazio
ruas paradas
casas entaipadas
portas e janelas
escondidas por telas
brancas ou tijolos
casas em ruínas
as árvores a crescer
dentro delas
casas semi-construídas
os blocos à espera
na estrada
casas arruinadas
casas fechadas
por trás de panos pretos
ou papel costaneira
castanho-amarelado
casas esventradas
as ervas a engolir os buracos
das paredes pardas
desanimadas
janelas caladas
o gato sobre o telhado
arrenda-se
aluga-se
vende-se
aluga-se ou vende-se
o gato não sabe ler
vem sempre às horas do sol de Outono
aconchegar-se sobre as telhas de sempre
na casa abandonada.
casas entaipadas
portas e janelas
escondidas por telas
brancas ou tijolos
as árvores a crescer
dentro delas
casas semi-construídas
os blocos à espera
na estrada
casas arruinadas
casas fechadas
por trás de panos pretos
ou papel costaneira
castanho-amarelado
casas esventradas
as ervas a engolir os buracos
das paredes pardas
desanimadas
janelas caladas
o gato sobre o telhado
arrenda-se
aluga-se
vende-se
aluga-se ou vende-se
o gato não sabe ler
vem sempre às horas do sol de Outono
aconchegar-se sobre as telhas de sempre
na casa abandonada.
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